STATEMENT
[...] dos modos de existência como produção artística e tem como base as relações e suas reverberações, sejam nos projetos pessoais ou em parcerias com outres artistas.
A pesquisa se desdobra por linguagens
múltiplas, que se encontram no processo de criação e construção dos trabalhos,
sejam secreções, como sangue;
sejam ações: do corpo como ato;
objetos; ou fotografia-ritual.
Formando linguagem registro de minhas experiências de deslocamento e imersão.
A performance é a pulsão do corpo revelada. E aparece como movimento vital do percurso. Chamo o que faço de práticas híbridas para cura... Despida, como "o Xamã coberto de peles & andrógino"

Por Todas As Bias
2021-25
Intervenção / Ativismos
Ação: 8M (08/03/2023)
Foto: Anna Bueno
Em 2018, minha irmã nova, Beatriz, foi vítima de feminicídio... aos 27 anos, e grávida de quatro meses e meio; o crime foi cometido por seu então companheiro e pai da criança. Como resposta a essa ruptura lamentável, produzi com nossa mãe a performance MÃE (2019) — uma obra ritualística e um processo de luto que desencadeou uma série de desdobramentos artísticos e ativistas.A imagem de capa desta página registra uma intervenção realizada na tradicional marcha de 8 de março, em 2023. Na ação, carregamos uma faixa pintada à mão com os dizeres: "Médico e Feminicida: CRM kd vc?". O objetivo era questionar o silenciamento do Conselho de Medicina diante da culpabilidade sentenciada pela Justiça em 2021.
A mobilização gerou resultados concretos: a pergunta foi respondida com a suspensão do registro médico (CRM) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além disso, houve uma revisão cuidadosa da execução penal pelo Ministério Público de Mato Grosso, após o condenado ter passado ao regime semiaberto antes de cumprir metade da pena — o que contraria as diretrizes da Lei do Feminicídio.
Em 10 de setembro de 2024, alcançamos um marco legislativo: a aprovação da LEI BEATRIZ MILANO (Nº 13.835/2024). A lei municipal, em Rondonópolis-MT, impede a nomeação para cargos públicos de condenados por violência doméstica e familiar contra a mulher. Então, na marcha de 8 de março de 2025, celebramos a justiça em torno da memória da Bia. Levamos às ruas estandartes construídos em processos educacionais dentro da minha atuação em Design e Ativismo no SENAC São Paulo.
As ações desse movimento coletivo foram documentadas no perfil @PorTodasAsBias entre 2021 (ano do julgamento) e 2025 (intervenção no 8M). O projeto contou com a colaboração essencial de Cilene Marcondes, Juliana Vech e de diversas pessoas e mídias que se somaram à luta por justiça.
Publicações sobre:
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Artigo "Ela não está mais aqui": Revista Cult, em dossiê articulado pela pesquisadora Patrícia Valim (2024). Link
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Capítulo "Por Todas As Bias", no livro "Protagonistas", publicado pela Ser Mente Editorial (2024).
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8M em fotos: A força do feminismo nas ruas | por Planeta Ella, Mídia Ninja (2025). Link
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Matou uma, matou todas. Livro do jornalista Klester Cavalcanti, pela Ação Editora (2025). Link
Por Todas As Bias
2021-25
Intervenção / Ativismos
Ação: 8M (08/03/2025)
Foto: Joyce Cury

